domingo, 13 de junho de 2010

O fim

E tudo caminha pro mesmo fim.

O mesmo roteiro, aquela estória fantástica que agradou ao público.

Sabe aquele filme campeão de bilheteria? A mesma fórmula.

Termina e recomeça a mesma história, o mesmo início, o mesmo meio, o mesmo fim.

Já começo a pensar que não escrevo a minha vida, que ela é uma sucessão de repetições.

E recomeço do começo e caminho pelo mesmo destino.

Falta inteligência ou sobra teimosia.

Se esse filme já vi... Já sei onde vai dar.

Mas assisto de novo e novamente até o fim, e não acredito que o fim é o mesmo, e sempre, a mesma coisa.

O pior é que eu acho mesmo que o final mudará, que cada vez é diferente.

E, assim, repito o mesmo filme, como uma droga, como em uma crise de abstinência.

Mesmo assim, sendo como for, pago pra ver até o fim e não acredito quando ele chega...

E ele sempre chega!

Assim que o começo recomeça, caminho pelo meio e o fim não tarda.

Fecho o filme pra recomeçar o mesmo. Repetindo...

Paralisada na mesma história... Repetindo... E não mudo.

Acho que me acomodei num fim conhecido, mas não penso assim no começo.

Se eu conseguisse pensar assim, certo, talvez pudesse mudar esse roteiro, virar a página, sair desse ciclo de expirais de repetições eternas.

Mas penso como sempre pensei em todos os começos daquele mesmo filme: "Que tudo pode ser diferente."

Uma pequena mudança, um simples pensamento novo, pode mudar um grau a minha navegação e me levar pra outro continente...

Mas esse seria outro filme, e ainda não assisti tantas vezes, quantas vezes, o suficiente... Ainda acredito que ele não é ele e que pode ser diferente... Repetindo, repetindo, repetidamente.

Talvez seja falta de inteligência ou excesso de teimosia.

Ainda não aprendi o que preciso aprender com esse filme, esse mesmo filme de tantos anos. Será possível isso de novo?

Pelo menos ao final escrevo coisas sobre esse fim, e começo... A pensar se o verei novamente.

E sei que, já, já, o recomeço e a esperança voltam, junto com o fim da lembrança, recomeçando novamente o esquecimento desse fim que vivo hoje.

E o início e o meio justificam o fim, assim como o fim justifica esse texto.

E talvez esteja tudo certo, tudo justo e perfeito no universo.

E chego ao fim desse texto sem um fim próprio, apenas selando essa repetição com um ponto final.

Crucial e banal... Mas um fim... Mais um fim, pra talvez recomeçar de um mesmo começo...

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